“O final você decide” (risos)

11 07 2009

Por Acauã Pyatã (em fim… CS2P34 – CSPP – 2º semestre)

Enquanto escrevia a página do editorial, fui velado a refletir sobre várias coisas que ao longo do ultimo semestre pude observar no curso de comunicação social, seja em qualquer uma de suas habilitações, não somente na FAPAN, mas em todo as as instituições de ensino superior particulares, pelo menos de nossa cidade,e então me recordei de outros três artigos que já havia escrito aqui em outras oportunidades, são eles:

Estes três artigos discutem a questão da comunicação como um elemento em uma perspectiva não mercadológica e mais humanística, e fazendo este aparato de reflexões e de elementos que agora,

reflexao

após a edição do editorial deste blog, me ocorreu que é a hora de falar de um tema importantíssimo, que mutias vezes passa desapercebido, que é a qualidade da formação do comunicador.

Antes de começar, acho importante primeiro determinar o significado das palavras chave: qualidade, formação, acadêmica, mercadológico e humanístico. Qualidade se refere ao conjunto de características que atribuem um valor positivo a algo, formação afere a condição de se construir algo ou alguém, mercadológico diga-se de forma clara e enxuta: vendas e lucro, por fim, humanístico remete a condição do ser humano de ser humano e perceber tal humanidade de seus pares. Agora que já deixamos isto claro,pensando vamos ao que interessa.

Observamos que na atualidade a comunicação é a chave base que faz o mundo girar, sendo o principal canal em que flui a economia mundial, que diga-se de passagem, se dinamiza a medida que a comunicação e tecnologia evolui, sendo desta forma a comunicação vista como algo de domínio extremamente mercadológico, onde a exemplo especialmente da publicidade e propaganda, nossa competência aqui, existe o mito errôneo de que publicidade e propaganda é simplesmente através de métodos que proporcionem anúncios possa se obter lucro através da venda de tais produtos e serviços. Um erro estúpido e cabal.

Esse texto que é a comunicação, inserido nesse contexto estritamente capital e mercadológico causa reflexo direto na forma como a acadêmia reage no momento de formar os futuros comunicólogos habilitados para jornalismo, publicidade e propaganda, multimídia, relações pública, rádio, tv e cinema e etc. Podemos observar hoje, que em nossos cursos, não somente de comunicação mas é aqui o que é instrumento de discussão, a priorização da formação de profissionais voltados para atender o mercado de trabalho, com cursos em que se contempla em sua carga horária semanal horas de aula em que a técnica são fundamentais como por exemplo: ambientes de marketing, jornalismo institucional, técnicas de fotografia e outros, acabando assim por se dar menor importância a matérias que no mínimo são tão importantes como: psicologia, antropologia, sociologia, realidade socio-econômica e prisaopolitica da região, e claro, não posso deixar de referir, disciplinas voltadas para a questão do homem amazônico e o meio social em que ele vive.

Muitas vezes alguns alunos se perguntam: “Pra que eu vou estudar sociologia ou antropologia?”, “de que isso vai me servir na hora de faze rum comercial? De produzir uma peça?”. Bom, eu nem precisaria responder, mas devo. Tendo em vista que primeiramente a acadêmia, antes de mais nada, não é um lugar que prioriza a formação de profissionais, mas sim um berço (em teoria deveria ser) de mentes pensantes, criticas, livres, abertas e em especial, que ampliem e melhores conhecimentos já existentes, ao ponto de gerar até mesmo novos conhecimentos, teorias e métodos. O espaço de uma universidade e/ou faculdade é um local para que as pessoas expandam seus horizontes, e não o limitem. Fazer propaganda é muito mais do que vender produtos e serviços, ou fazer propaganda institucional, é acima de tudo difundir ideias e conceitos. Imagine você até onde pode ir a qualidade de uma propaganda produzida por um publicitário que conhece e é sensível a realidade em que as pessoas naquele meio em que o anuncio será veiculado se insere? Que proporções pode tomar o alcance do ato de comunicar, quando simplesmente a técnica é suplantada pela sensibilidade e o olhar diferenciado acerca daquilo que justamente toca e interessa as pessoas? Quando você compreende como eles sentem, pensam e principalmente, como repousam seu olhar acerca do mundo que os rodeia, e como eles se relacionam com ele e como deixam-se ser construíveis por esse meio, você simplesmente terá a capacidade de comunicar a estas pessoas, cada um destes, seres individuais com características e sentimentos próprios, aquilo que vai muito além de imagens e enunciados, mas que transpasse as barreiras do simples olhar e entender e se traduza em sentimentos internalizados que diga tudo sem ao menos precisar ser explicado, produtos e serviços? Não! Conceitos e ideias.

Eu pessoalmente deposito minha opinião pessoal totalmente contra a formação mercadológica em nossas IES, pois se olharmos a comunicação como ela é de fato, e suas diversas habilitações, como uma liberdadeciência SOCIAL, como a própria nomenclatura do curso faz questão de gritar: comunicação SOCIAL, vamos perceber que não é a disciplina de marketing, nem de composição e projetos gráficos, nem de produção de texto publicitário que nos dará tal capacidade, mas sim as de filosofia, sociologia, antropologia, psicologia e similares, que nos possibilitaram usar as disciplinas técnicas como instrumento efetivo de contemplação social da comunicação e do comunicólogo.

Tendo em fim este ponto como base, sinto-me totalmente seguro para tecer a afirmação pessoal que irei dividir agora, opinião pessoal minha, que pode ou não ser considerada por vocês caros leitores: A comunicação como elemento social, que é o que é, é composta por um conjunto de elementos que tem apenas um alvo, o ser humano no meio em que convive e seu constante aperfeiçoamento através do ato de compor seu meio e de ser composto por ele, logo, através do ato de comunicar algo e ser receptor de uma resposta desta mensagem a qual passou ao seu meio, e vice e versa, ficando a questão mercadológica apenas como um mero elemento consequente. Dinheiro? Sucesso? Visibilidade? Prêmios como Cannes? Isto tudo é importante, contudo, não é o principal, pois o principal se revela no ato do comunicólogo, como pesquisador e estudante do fenômeno eterno e infinito que ´a comunicação, acabar por compreender como isto pode ser elemento de primazia e aperfeiçoamento humano e social, sendo as demais coisas, apenas meras consequências de um trabalho bem sucedido com base no objeto da comunicação, o homem e sociedade.

O meio acadêmico, durante toda a historia da humanidade tem sido baluarte e berço de grandes descobertas e evoluções para a raça humana, e ao desassistir a formação humanística em detrimento a uma doutrina capital em favorecimento ao mercado de trabalho, acaba-se por negligenciar pesquisa e extensão, impedindo a produção de novos conhecimentos, o que infelizmente hoje é uma realidade.

estudanteCompete a cada estudante de comunicação decidir entre as duas opções: ou você fecha os olhos e se importa com você e seu pedaço mediócre de papel no final do curso, que simplesmente não define nada, ou você realmente desperta para as possibilidades de descobertas que a comunicação pode proporcionar, onde você trocará algo com o meio, e este meio responderá positivamente também trocando algo com você, o que te fará crescer e ser uma pessoa melhor. Por mais que a sociedade te force a caminhar nessa corrida sedenta por um pedaço de papel que chamamos de dinheiro, o dinheiro não tem mais valor que ideias e conceitos, que ideais e personalidade, a não ser que você decida que tais características que você possua estejam a um valor menos significante que um pedaço de papel. O dinheiro de nada vale, se não puder ser utilizador com sabedoria, e sabedoria não se tem, se constrói ao longo de toda a vida, se constrói com troca e recebimento de informações com o meio em que se vive, em suma, se constrói com comunicação, quem vai te formar mais um publicitário ou quem sabe “o comunicólogo”, é você mesmo, não disciplinas ou pessoas. Mas você já sabia dessas coisas não é?

Enquete

É um projeto de reforma curricular dos cursos de comunicação social, reduzir a graduação de 04 (quatro) anos para 03 (três) anos e meio, com isso se daria maior visibilidade as matérias de cunho técnico e se enxugaria as matérias de cunho mais socio-humanisticos.


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