O texto e o contexto da comunicação e dos signos

19 03 2009

Por Acauã Pyatã

(Aluno da turma Darwin, 1ª Semestre – CSPP / Noite)

Olá pessoal, hoje o tema refere-se a um elemento simples, e que nós, estudantes de comunicação em especial os habilitados para publicidade e propaganda estaremos simplesmente enjoados de ouvir falar, pois isto será um carma em nossa vida quanto comunicólogos. Durante uma aula da professora Tânia, de teoria da comunicação, foram discutidos vários aspectos da comunicação, mas um desses aspectos em especial me chamou a atenção, estou falando de signos.

Ninguém sabe exatamente quando a humanidade começou a desenvolver métodos para se comunicar, e tão pouco como se deu esse processo, apenas especula-se por parte dos estudiosos e cientistas da área e que estudam o fenômeno da comunicação, que supostamente deve ter começado através de gestos simples e da emissão de sons similares a de animais, como grunhidos e outros, e é justamente ai que começa a ganhar vida o significado de signo. O signo nada mais é do que um elemento que remeta a uma idéia, seja ele um elemento visual, sonoro, olfativo ou até mesmo psíquico. No despontar da humanidade, o homem pintava nas paredes de suas cavernas elementos do seu cotidiano, podendo ser representações de suas simples atividades, passando até mesmo por quem sabe registros de grandes 903festivais de caça ou religiosos. Antigamente, os signos mais comuns eram justamente tais elementos, figuras que estavam relacionadas diretamente a fatos ou objetos, figuras estas que representavam uma idéia a ser compreendida literalmente através de determinada pintura ou também de uma emissão sonora, como por exemplo o famoso “ai!”, que é um signo que geralmente se associa a dor.

Com o avançar dos tempos e a evolução da humanidade, os signos também foram avançando junto com o processo da comunicação, se tornando cada vez mais complexos. Podemos dividir basicamente esse processo evolutivo da comunicação e dos signos, que são justamente o que movem a comunicação, em duas etapas. A primeira, chamada de analógica, que é justamente o momento mais simples e inocente, onde se evidencia de forma clara e explicita a representação do signo, como em pinturas rupestres, sons de tambores e outros elementos que remetem a uma idéia clara e direta, e ao momento de codificação “digital” por assim dizer.

A codificação digital pode ser entendida como um momento mais composto e complexo da comunicação por assim dizer, onde signos ganham uma abrangência maior, formando até mesmo combinações que geraram os fonemas, que geraram primariamente as letras, que combinadas formam silabas, que formam palavras, que por sua vez formam frases e orações, sendo uma oração todo enunciado que carregue uma idéia compreensível.

Quando a comunicação evolui e arrasta consigo os signos, estes acabam por ganhar maior complexidade e mais diversidade, e é justamente por isso que hoje temos o alfabeto, em suas várias formas ao redor do mundo. Também é importante lembrar que esta questão também está muito associada a forma de agir e compreender da sociedade que se foca neste estudo, pois sãom3 notórias as diferenças entre a forma de se comunicar e signo das sociedades ocidentais para as orientais, ou seja, uma distancia cultural que influencia diretamente até mesmo o fato de se comunicar.

Um fator importante e que não pode deixar de ser mencionado, é que junto com esses avanço da comunicação, também se deu a maior possibilidade de interpretação de signos ou seus conjuntos, como por exemplo, uma mesma palavra ou frase podendo ser compreendida de forma figurativa ou literal. Vamos a um exemplo claro: “A cadeira da Andreza esta balançando”, posso estar me referindo a cadeira em que a Andreza senta, ou simplesmente a um balanço rítmico dos quadris dela, e o que vai definir a interpretação correta, será justamente a junção de mais signos, como por exemplo o tom de minha voz e minha expressão, que por fim iram remeter a minha real intencionalidade, ou não.

O ser humano como elemento de complexidade comunicativa

Quando paramos e pensamos no ser humano como um ser comunicativo, pois realmente, o se humano tem essa necessidade primitiva dentro de si, pois é comprovado que a pessoa que é privada de se comunicar simplesmente enlouquece, é um ser tão complexo quanto a forma que emprega para se comunicar. Os signos podem varias de ser humano para ser humano, em gral, gênero e profundidade. Um exemplo bem claro de signo complexo são os signos que remetem a idéias não por elementos visuais nem sonoros, mas ideológicos, tendo como grande e claro exemplo as figuras divinas, sejam elas cristãs, como o Cristo, Deus, Maria e outros, passando até pelo panteão pagão, com diversos deuses gregos, celtas, romanos e etc. O importante é perceber que o conceito de signo não se limita apenas a aquilo que os sentidos são capazes de captar, como um odor ou som, mas também pode ser estendido até os limites da sensibilidade humana, o que também compreende os aspectos emocionais e psicológicos. Como grande fator disto temos o signo da fé em algo, pois a fé nada mais é a certeza daquilo que você não viu, nem ouviu, mas sente dentro de si como uma verdade, ou seja, um verdadeiro signo que se revela. As possibilidades de signos e suas formas de compreender são muito variadas.

A comunicação como elemento que move o mundo

O que é a comunicação? Não vamos levar em conta o conceito básico que estudamos em nossas aulas da FAPAN, mas sim vamos levar a coisa por um lado mais filosófico e analista. A comunicação pode ser tida como a chave mestra que liga a maquina que faz o mundo girar, pois somente através dela, que o mundo pode evoluir e estar em constante mudança, pois a comunicação muito mais que qualquer coisa, carrega idéias, conceitos, transmite pura e completamente a força do pensamento, traduzida em signos, sejam analógicos ou digitais. Se não houvesse comunicação não teríamos tecnologia, ciência, compreensão e nem tão pouco experimentaríamos reações tão básicas de nós humanos. A comunicação simplesmente pode ser tida como a carta magma que faz de nós seres humanos, simplesmente humanos. Se você não se comunica, você não divide suas idéias, não absorve outras idéias para somar e evoluir nas suas, ou seja seu mundo simplesmente para e fica estático. Ao encarar a comunicação como um fator fatal e inerente a comunicação humana, percebemos que é somente e unicamente através dela que nosso mundo funciona, pois é justamente ela que possibilita o estilo de vida que conhecemos hoje. grande prova disso é um fenômeno que estudamos até a exaustão durante nosso ensino médio na disciplina geografia, chamado globalização, que é um processo que basicamente rege a regra de que cada vez mais o mundo está ficando um mundo pequeno, simplesmente pelo fato da comunicação ter evoluído e diminuído distancias. Comunicação como fator social é um elemento capaz de transformar vidas para melhor, existem vários casos disso.

Texto no contexto ou contexto no texto?

comunicacaoO que torna a comunicação um fator tão primordial? o que a compõe? Seria ela um elemento que faz o contexto da existência humana, ou seria a existência humana um fator que gere o nosso “texto” (comunicação)? Parece algo complexo e sem resposta não é? Mas é muito mais simples do que parece. A corrente da comunicação na verdade é algo cíclico, que começa em um ponto, gira e volta para o mesmo, pois da mesma forma que o “texto” (comunicação) é influenciado pelo “contexto” (meio), sendo ela muito característica de uma sociedade ou meio cultural em que ela se desenvolve, ela também assume o papel de “contexto” (meio) inserido no “texto” (comunicação), ao passo que toda e qualquer sociedade e cultura ´somente sofre processos de modificação ou evolução graças a comunicação. um grande exemplo disso é a realidade cultural de nossa região em sua conjuntura atual. podemos notar que em nossa região, e em especial na capital Belém, sofre-se constantemente um processo de aculturação (um fenômeno social que só é possível graças a comunicação), onde existe um permute da cultura oriunda de nossa civilização e sociedade, de elementos advindos de outras sociedades e meios, que são carregadas através do simples ato de comunicar.

Quando o signo vira um homem e o homem vira um signo

Retomando ainda o conceito básico de signo, e para ratificar o seu papel seu_madrugacomo algo de compreensão simples mas muitas vezes de analise complicada, resolvi me remeter a exemplos claríssimos, e que fazem parte do nosso cotidiano em especial do de nosso país e região.

Quando um homem vira lenda? E depois de lenda vira mito, e na seqüencia, o mito vira signo?

Existe uma figura histórica, que de acordo com estudos de especialistas em Marketing de uma universidade estrangeira, se este individuo fosse hoje, avaliado como uma marca comercial, deixaria os signos da coca-cola, Nike e todos os demais no chinelo em relação a valor comercial. Estou falando nada mais, nada menos de que do argentino Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, ou para os mais “íntimos”, El Che. Este homem após sua morte simplesmente teve a sua imagem transformada em um signo de luta revolucionaria e resistência. também como exemplo claros temos homens como Bob Marley, que é símbolo da positividade, Lute king, símbolo da resistência negra, e por que não referir a um recente ícone nacional da politica, isso mesmo! Estou falando nada mais e nada menos de que Enéias Carneiro, símbolo de ética politica e de moralização nacional. Eu não poderia também deixar de falar de um signo que marcou a infância de minha geração, e olha que não sou velho, tenho apenas 22 anos, estou falando de Dom Ramon, ou o famoso Seu Madruga, como é conhecido no Brasil. Certamente um signo tão forte quanto chê e extremamente popular, afinal que nunca viu no orkut comunidades como: “Seu Madruga, o primeiro grande punk”, “Seu Madruga usava all star”, “Seu Madruga, o pai dos grunges”, “Seu madruga Curtia metal”. Ele é um claro exemplo da pluralidade que um símbolo pode adquirir.

Esses são apenas alguns poucos exemplos que revelam a capacidade que che-guevara-01pode ser contida e compreendida dentro de um ícone. existem ícones que até hoje não compreendemos, como por exemplo o tribal marajoara, que está ai, estampado nos coletivos de nossa cidade, aqueles triângulos interligados, ou então remontando o cotidiano de nossos ancestrais regionais, pois para eles, o sapo, isso mesmo, é ícone de sorte e sabedoria, signo este que é conhecido e era chamado por eles de o muiraquitã. Até mesmo sons como o do Uirapuru, são signos de mistério da natureza.

Peço aos colegas de outros semestres que complementem este artigo nos comentários, e também aos professores, pois com certeza existe muito ainda a se explorar acerca deste assunto, contudo, não sendo possível dentro de um artigo de blog para não deixar a leitura cansativa e desestimulante. Espero ter conseguido passar de forma resumida a multidiversidade e a pluralidade que está contida dentro dos signos, da comunicação e dos mistérios da influencia humana. Até a próxima.

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3 responses

24 03 2009
Gringa

Meu caro,

Acabei de ler seu artigo e achei deveras muito interessante, visto que o ser humano desde os primórdios se utiza de signos para fins de comunicação. Inclusive na minha monografia , em um tópico especifico, trato das pinturas ruprestres, e da própria simbologia egipcia para explicar a origem da “imagem”.
Aliás, pensando bem, eu concluí que todo signo é uma imagem, haja vista que esta não se restringe apenas a fotografia ou um desenho, como também a própria personalidade do ser e que ele representa para sociedade. Por este motivo, a “Imagem” é protegida pelo nosso ordenamento jurídico.

Quando você afirma que Che Guevara se tornou um SIGNO, entende-se que através de sua luta , ele conquistou essa IMAGEM. Ou seja, tornou-se um símbolo. Simbolo não deixa de ser uma imagem, pois toda imagem simboliza alguma coisa. Veja como eles se entrelaçam.

Portando, ambos (signo e imagem), exercem função simbólica e representativa com o mesmo mérito. A diferença é que a imagem além de exercer tal função, encontra também incidência nos textos legais.

Assim entendo.

24 03 2009
Acauã Pyatã

Realmente Gringa, podemos afirmar que signos estão diretamente relacionados com a imagem em si porque mesmo que seja uma idéia ou conceito, e quem sabe até mesmo som, ele mentalmente nos remeterá a uma imagem que será relacionada.

30 05 2009
Gilberto

Com o perdão do trocadilho: “Todo texto, fora dp contexto, é pretexto!”

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